
O chefe da FIFA, Gianni Infantino, está promovendo o retorno da Rússia às competições de futebol, conforme indicado pela posição da UEFA.
Durante o 49º Congresso da UEFA em Belgrado, Gianni Infantino, presidente da FIFA, trouxe à tona uma questão polêmica: a possível reintegração da Rússia no futebol internacional. Apesar de seu discurso ter sido centrado na esperança de paz na Ucrânia, a resposta da UEFA e da Associação de Futebol Ucraniana (UAF) foi clara e inflexível.
A declaração da UEFA sobre essa possibilidade revela uma complexidade maior envolvendo as entidades governantes do futebol, a política global e a união – ou divisão – do esporte.
Diante dos líderes do futebol europeu, Infantino manifestou o desejo de que a Rússia seja em breve aceita de volta ao cenário internacional, mas apenas se esse retorno simbolizar o fim da guerra. Suas palavras eram otimistas, quase idealistas, refletindo a ambição do futebol de unir pessoas.
“Com as negociações de paz em andamento na Ucrânia, espero que em breve possamos virar a página: reintegrar a Rússia no futebol. Isso significaria que tudo foi resolvido”, disse Infantino. “Por isso devemos torcer, por isso devemos rezar – porque é disso que se trata o futebol. Não é sobre dividir, é sobre unir pessoas.”
A Rússia está banida de todas as competições da FIFA e UEFA desde fevereiro de 2022 devido à invasão à Ucrânia. A suspensão inclui equipes nacionais e clubes de todas as categorias. Já são mais de três anos de sanção.
A UEFA mantém sua posição
Os comentários de Infantino rapidamente geraram atenção e delinearam um limite claro. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, enfatizou: não haverá retorno para a Rússia enquanto a guerra continuar. “Como já disse várias vezes, quando a guerra terminar, eles serão readmitidos”. Declarou de forma categórica na coletiva de imprensa final do Congresso.
Seus comentários reforçam a postura contínua da entidade, estabelecida em fevereiro de 2022, quando o Comitê Executivo da UEFA, em colaboração com o Conselho da FIFA, suspendeu as equipes russas de todas as competições internacionais.
Nos bastidores, fontes da UEFA afirmaram que não houve discussões formais sobre restabelecer as equipes russas durante o Congresso, já que essas decisões não são de sua competência processual. Ainda assim, os comentários de Infantino provocaram reações fortes em toda a Europa, especialmente na Ucrânia.

Resposta da Associação de Futebol Ucraniana
A Associação de Futebol Ucraniana (UAF) reagiu com uma carta oficial enviada à UEFA e às associações nacionais de futebol em toda a Europa, relembrando a decisão de 2022 e alertando contra qualquer retrocesso.
“Somos gratos à família do futebol pela resposta imediata no início da guerra em larga escala iniciada contra nós pela Rússia… e por manter as equipes do país agressor afastadas do futebol internacional nos últimos três anos”. Escreveu a UAF.
Eles também criticaram tentativas anteriores de relaxar a proibição, como a breve proposta de permitir equipes russas sub-17 em competições da UEFA em 2023, uma medida que foi posteriormente revogada após reações adversas generalizadas.

“O retorno dos russos a competições sob os auspícios da UEFA e da FIFA ameaça uma divisão na família do futebol e representa uma ameaça direta à segurança e integridade de tais competições internacionais”. Concluiu a UAF.
Mesmo assim, relatórios indicam que o Diretor da UEFA, Zoran Lakovic, expressou esperanças na mídia russa de que até 2025, “o esporte russo finalmente retornará ao seu antigo lugar.” Esses sinais conflitantes deixaram o futebol europeu em um dilema político.